Doutrina Trump (Moroe): A Estratégia de Domínio das Américas
Nos últimos anos, a política externa dos Estados Unidos sob Donald Trump tem sido marcada por uma abordagem agressiva e direta em relação à América Latina. Essa estratégia, apelidada por analistas de “Doutrina Trump”, é uma reinterpretação moderna da clássica Doutrina Monroe do século XIX, adaptada para o século XXI, com ênfase em segurança hemisférica, combate ao narcotráfico e contenção de influências estrangeiras, principalmente de China e Rússia.
1. O que é a Doutrina Trump (Moroe)
A Doutrina Trump busca consolidar os Estados Unidos como a potência dominante no hemisfério ocidental. Inspirada na Doutrina Monroe, que proclamava “América para os americanos”, a estratégia moderna inclui:
- Intervenções diretas e operações militares contra regimes ou organizações que os EUA consideram ameaça;
- Sanções econômicas e bloqueios diplomáticos para isolar governos adversários;
- Controle de recursos estratégicos, como petróleo e minerais, especialmente em países como Venezuela;
- Pressão sobre regimes alinhados com potências estrangeiras (China, Rússia), para limitar sua influência na região;
- Narrativa de segurança nacional, usando combate ao narcotráfico, terrorismo e imigração irregular como justificativa.
Essa abordagem combina diplomacia coercitiva, militarismo e propaganda estratégica, visando expandir o poder norte-americano e minar governos de esquerda ou considerados hostis.
2. O Contexto Atual na América Latina
Atualmente, a América Latina apresenta um panorama dividido entre governos de direita alinhados com os EUA e governos de esquerda ou neutros, que enfrentam crescente pressão.
Países de direita que já seguem a lógica Trump:
- Argentina: Sob um governo conservador, alinhado às políticas de mercado e com cooperação crescente com Washington.
- Chile: Adota postura pró-EUA em política externa e combate à esquerda radical.
- Paraguai: Aliado estratégico, com foco em segurança e comércio favorável aos EUA.
- Uruguai (parcialmente): Tendência a apoiar medidas de controle regional e políticas anti-narcotráfico alinhadas com Washington.
Países sob pressão ou alvo direto da Doutrina Trump
- Venezuela: Nicolás Maduro foi recentemente capturado em operação militar. Representa um bastião de influência da esquerda e aliados de Rússia e China.
- Cuba: Sofre sanções severas e isolamento econômico, pressionada a limitar relações com aliados da China e da Rússia.
- México: Alvo de ameaças de intervenção sob o pretexto de combater cartéis de drogas, apesar da forte resistência diplomática.
- Brasil: Monitorado como próximo alvo de influência estratégica, devido ao seu tamanho econômico e recursos naturais.
3. Como a Doutrina Trump Funciona na Prática
A estratégia se baseia em quatro pilares principais:
- Militarização e operações diretas: Uso de forças navais, unidades especiais e inteligência para intervir em países considerados hostis.
- Sanções econômicas e bloqueios: Pressão sobre governos, empresas e indivíduos ligados a regimes adversários.
- Narrativa de segurança nacional: Justificação de medidas agressivas alegando combate ao narcotráfico, terrorismo ou crimes transnacionais.
- Isolamento diplomático: Criação de alianças regionais com governos de direita e marginalização de governos de esquerda.
Essa combinação cria um efeito de “cerco” sobre governos de esquerda, forçando mudanças políticas, submissão a interesses norte-americanos ou substituição de líderes.
4. Próximos Possíveis Alvos
- Brasil: Por seu tamanho, recursos naturais estratégicos e influência regional.
- México: Continua sendo alvo por seu papel central no tráfico de drogas e migração para os EUA.
- Outros governos de esquerda remanescentes na América Central e Caribe: Nicarágua, Honduras, e El Salvador podem enfrentar sanções ou pressões militares discretas.
O objetivo é criar uma rede de governos aliados à direita, formando um “bloco hemisférico” pró-EUA, enquanto limita qualquer influência de China, Rússia ou aliados locais da esquerda.
5. Impactos e Críticas
- Violação de normas internacionais: Captura de líderes estrangeiros e ameaças militares são consideradas ilegais por muitos governos e organismos internacionais.
- Risco de conflito regional: A militarização e intervenção direta podem gerar confrontos e instabilidade.
- Reações anti-EUA: Países da região podem buscar alianças estratégicas fora do hemisfério, aumentando tensões geopolíticas.
6. Conclusão
A Doutrina Trump representa uma versão moderna e agressiva da Doutrina Monroe, adaptada ao século XXI com foco em:
- Expansão do poder norte-americano nas Américas;
- Contenção da influência de potências como China e Rússia;
- Pressão sobre governos de esquerda e organizações criminosas;
- Fortalecimento de alianças com governos de direita na região.
Se essa estratégia continuar sendo aplicada, a América Latina pode ver uma reestruturação política significativa, com mais países alinhados à direita, maior presença militar e econômica dos EUA e confrontos diplomáticos cada vez mais intensos.

